Gestão Pública Moderna e Inovadora (#SQN)

Um dos grandes desafios na gestão pública das cidades pequenas pelo Brasil é substituir o amadorismo das administrações coronelistas amparadas na politicagem e cabides de empregos, pela gestão técnica especializada que pode de fato impactar positivamente a qualidade de vida das pessoas. Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, conhecida como Vale da Eletrônica, não é diferente. Embora o marketing tente vender a imagem de uma cidade inovadora, e reconhecendo que alguns sucessos devem sim ser valorizados na área privada e em parcerias comunitárias como o HacKTown e o movimento Cidade Criativa Cidade Feliz, e alguns destaques isolados em áreas ligadas à tecnologia, eletrônica e cultura, a essência da administração pública local pouco se diferencia da média dos demais municípios do sudeste tupiniquim. Enquanto o prefeito seduz todos os formadores de opinião potencialmente opositores dando-lhes cargos de diretores na administração municipal, e com isso cala a imprensa incômoda em uma censura disfarçada mas eficiente, a câmara de vereadores se esforça para ocupar o tempo dando nomes a ruas e distribuindo diplomas de honra para os cidadãos. Nesse ínterim estratégias de planejamento urbano como os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, e de Saneamento Básico exigidos pelas leis federais passam desapercebidos e até mesmo ignorados por quem deveria aplicá-los como a Secretaria de Obras. O Plano Diretor participativo (??) tornou-se uma colcha de retalhos irregular e prestes a rasgar com as oito alterações não participativas que sofreu em oito anos (algumas delas com ares de coisa secreta como a da lei ordinária 5.138A/2018 que ocorreu três semanas após a troca do prefeito). Quem conhece um pouco de planejamento urbano sustentável e cidades resilientes percebe que ações e omissões que estão sendo incentivadas hoje pela administração pública municipal (primeiro semestre de 2.021), resultarão em moradias alagadas, pessoas desalojadas e desabrigadas e custos para o poder público com Defesa Civil daqui a uma década ou menos. E o cidadão de bem pagador de impostos? Tem culpa nisso? Sim!!! Como nas outras cidades brasileiras, o cidadão de bem, eleitor, sempre opta por dar votos aos políticos que lhes fazem favores pessoais, independente do currículo ou experiências (ou falta delas) dessas pessoas. Cidades eficientes, resilientes e sustentáveis conquistam isso aos poucos mantendo um corpo de técnicos independente das oscilações políticas e dando meios para que esses técnicos trabalhem. Santa Rita do Sapucaí ainda não se avizinhou desta mentalidade.

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